Cremes dentais sem flúor. Por que?!

Se você ainda não foi indagado por algum amigo sobre quais seriam os benefícios dos cremes dentais sem flúor, é bom ir se preparando psicologicamente. Perfis em redes sociais tem divulgado (vantagens?) do uso desses cremes dentais e (perigos?) associados aos que contém flúor. Mas por que?

 Para entender é preciso listar o que os adeptos de seu uso alegam. Então vamos lá:

“O flúor em excesso é prejudicial à saúde, estudos comprovam que ele é acumulativo na tireóide e na glândula pineal” Sim, com essas palavras, com essa pontuação e sem qualquer fonte.

“Existem estudos que associam sua toxicidade ao Alzheimer, por exemplo” Não é possível entender pela frase se a tal toxicidade é associada a um cara chamado Alzheimer ou à conhecida doença degenerativa.

“Apenas 5,7% dos países do mundo permitem fluoretação da água” Temos cerca de 200 países no mundo. 5,7% são cerca de 10 países. Não. Essa conta não está certa.

É impossível questionar estes argumentos sem recorrer aos mecanismos de busca de artigos científicos. Pesquisando e associando alguns termos como “fluoride”, “fluoridation”, “cancer”, “danger”, “Alzheimer” e etc foi possível encontrar alguns estudos que relacionam a ingestão de flúor a danos à saude. Por exemplo: este artigo cita a toxicidade em ratos expostos à ingestão de altas concentrações de flúor e iodo. Os autores verificaram danos à estrutura da tireóide assim como à sua função. Certo. Dano à tireóide. Mas é preciso levar em consideração o fator dose. Os autores administraram solução contendo 15, 30 e 60 ppm/F (15 a sessenta parte por milhão de Flúor). Pra efeito de comparação: nossa água contém 0,6 a 0,8 ppm/F, com um máximo permitido de 1,5ppm/F.

Bem, como vovó já dizia: tudo que é demais é veneno. A concentração usada pelos autores foi absurdamente maior do que a que somos submetidos durante a ingestão de água encanada brasileira. E teríamos que engolir muita pasta de dente todos os dias pra chegar lá.

Nesse artigo, os autores estudaram a concentração de flúor nas águas dos lençóis freáticos em distritos da Índia e cruzaram os dados de coeficiente intelectual (QI) das crianças em idade escolar da região.  Encontraram relação direta entre exposição a altos níveis de flúor e baixo coeficiente intelectual. As águas dos lençóis freáticos indianos apresentavam níveis de concentração de flúor de até 5,5ppm. É possível achar artigos chineses com estudos semelhantes.

Este artigo faz uma revisão sistemática sobre os efeitos adversos da fluoretação das águas com concentrações entre 0,6 e 1ppm/F em comparação com zonas não fluoretadas. Os autores encontraram maior prevalência de fluorose em zonas fluoretadas, com danos restritos à estética dental, não sendo possível encontrar relação com fraturas ósseas ou osteosarcomas.

Ao pesquisar conjuntamente os termos “fluorosis” e “cancer” no Pubmed não é possível achar artigos que façam relação causal entre essas condições.

Qual o embasamento científico então para não se usar creme dental com flúor então? Resposta: não há. O que parece haver é uma má-interpretação dos fatos de forma a amedrontar a população que não tem acesso à informação. Mistura-se artigos científicos relatando a toxicidade do flúor em excesso (alguém me avisa nos comentários qual elemento químico da tabela periódica não causa malefícios quando em excesso, por favor) com os níveis seguros que usamos no nosso dia-a-dia. Se o paciente tem deficiência cognitiva ou motora que o leve a deglutir o creme dental usado na escovação, sem dúvidas o uso de creme dental sem flúor pode ser uma ótima ideia. Se o paciente é são, com pleno gozo sobre sua faculdades mentais, não há qualquer motivo para alerta. Pronto, já sabemos o que dizer pro paciente apavorado que chegar ao consultório.

 

Curiosidades:

-O filme Dr. Fantástico (1964) de Stanley Kubrick  mostra um general americano que afirmava que o flúor adicionado à água de abastecimento fazia parte de um plano de dominação comunista sobre os americanos.

– A Academia Americana de Pediatria lançou nota em 2015 recomendando o uso de creme dental contendo flúor desde o primeiro dente do bebê. A Sociedade Brasileira de Pediatria faz essa mesma recomendação desde 2009.

 

 

 

10 Replies to “Cremes dentais sem flúor. Por que?!”

  1. Um professor disse certa vez: com um artigo de revisão vc pode provar praticamente tudo. É preciso uma coisa fundamental ao sair lendo na internet: bom senso.
    Viva ao Flúor!!!

  2. Estou mudando TOTALMENTE minha alimentação e costumes, onde o principal é cortar açúcar e carboidrato, naturalmente o que não é bom para a saúde, na verdade é um conjunto entre elas o creme dental “SEM FLÚOR”, como sabem hoje está quase tudo comprometido.
    “VIVA O CREME DENTAL SEM FLÚOR”!

    1. Olá! Nada melhor que a liberdade para escolher o que é melhor para si. Importante, no entanto, ter acesso ao máximo de informações para tomar decisões embasadas. A propósito, quanto menor a ingestão de carboidratos, principalmente açúcares processados, menores a chances de desenvoler cárie. O que torna o flúor menos necessário.
      Muito obrigado pelo comentário.

  3. Boa noite, apenas uma informação para acrescentar. Em casos de implantes o creme dental sem flúor é indicado para evitar desgaste do titânio que compõe os pinos, nesse caso específico vale a pena a utilização.

  4. Hum. O fluor foi usado em campos de concentração para manter os prisioneiros “calmos” e está sendo proibido em alguns países. Também se vê avisos de cuidado em embalagens de fluor dizendo que é um produto tóxico.

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