Como se distribui a Odontologia em 2020

Há cerca de 3 anos publicamos um post com alguns gráficos e números sobre a distribuição dos dentistas pelo Brasil. Como a Odontologia está segmenta pelos diversos estados. Mostramos como apenas São Paulo concentra quase 30% de todos os dentistas do país. E como isso não necessariamente é um sinal de saturação de mercado. Nesse post faremos uma releitura dessa distribuição, com atualização dos dados, trazendo novas abordagens. Ao final lançaremos uma grande novidade relacionada a análise de dados em Odontologia.

Tá. É certo que 2020 está sendo um ano completamente atípico para o mundo inteiro. De repente um vírus mudou hábitos, ceifou vidas e alterou os planos de muita gente ao redor do globo. Um momento muito difícil que ainda mostra imensos desafios a todos nós. No entanto essa paralisação forçada torna mais fácil fazer um recorte da situação atual da Odontologia. Praticamente não houve, até agora, novos formandos esse ano. Possíveis mudanças de estado por profissionais ficaram mais improváveis também. O momento é oportuno para enxergar o panorama atual e poder traçar novas estratégias assim como planos para o mundo pós covid-19. Apesar do vírus amanhã há de ser outro dia. Então mãos à obra.

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Esse é o número de dentistas em atividade atualmente no Brasil, segundo o site do CFO. Foi um aumento de aproximadamente 16% no número de profissionais desde 2017. A título de comparação, a estimativa de população brasileira subiu cerca de 2,6% no mesmo período.

Como se pode ver no gráfico, 3 dos 26 estados da federação (27 se considerado o Distrito Federal) concentram mais da metade dos profissionais do país. Como visto no post anterior, devemos levar em consideração alguns outros fatores antes de concluir que os profissionais estão mal alocados nos diversos estados do país. É o que veremos a seguir.

Se levarmos em consideração, por exemplo, como os estados concentram a população brasileira, a perspectiva já muda um pouco. Os mesmos 3 estados citados anteriormente contêm cerca de 40% da população nacional. Já é um indício de que o número de dentistas segue mais fielmente a proporção em relação à população do que a mera divisão territorial. Ainda assim vemos certa discrepância entre a população e os dentistas, já que os gráficos diferem ligeiramente. Colocando essas porcentagens em um gráfico de dispersão obtemos o seguinte resultado:

Esse gráfico mostra uma linha de tendência onde se nota uma proporção mais ou menos constante entre as populações relativas dos estados e as dos dentistas. É uma espécie de correlação positiva com certa dispersão entre os pontos. Os pontos acima e abaixo da linha de tendência podem ser interpretados da seguinte maneira: São Paulo teria relativamente mais dentistas que a Bahia na linha de tendência brasileira. Mas será que existe outro fator que torna esses pontos mais fortemente relacionados do que apenas a proporção em relação à população?

Note como os pontos ficaram, no geral, mais próximos da linha de tendência. Em um gráfico de dispersão é o que se chama aumento da força de relação. A participação do estado no PIB brasileiro é um fator que está mais fortemente ligado ao número de dentistas que sua própria população. O que faz sentido, já que o profissional é um recurso humano que precisa ser pago pelos seus serviços. Complicou? Vamos explicar.

O PIB é uma forma de avaliar a produção de riquezas de um lugar. Se Minas Gerais, por exemplo, tem maior percentual de participação no PIB que a Bahia, é porque naquele estado se produziu mais riqueza do que neste. É como se naturalmente o enriquecimento da população demandasse aumento do número de profissionais. Vale ressaltar que a linha de tendência nesses gráficos não quer dizer que uma proporção tal está correta ou errada. Apenas indica em que situação cada estado está em relação à tendência de distribuição no país como um todo. Nesse último caso, Minas Gerais teria mais dentistas que a média e São Paulo menos, quando comparadas suas respectivas participações no PIB.

Mas não só de dentistas é feita a Odontologia, obviamente. Já que já sabemos o que leva um local a concentrar mais dentistas do que outros, será que há diferença na proporção entre dentistas e os demais profissionais da equipe auxiliar (ASB´s e TSB´s) nos diversos estados? Vejamos:

Aqui já notamos os pontos no gráfico mais dispersos, mais distantes da linha de tendência. O que mostra menor uniformidade na distribuição entre dentistas e equipe auxiliar. Há portanto estados com quase tantos ASB´s e TSB´s quanto dentistas (Pernambuco com 9.307 e 9.897, respectivamente). Já outros possuem uma proporção de dentistas muito maior (São Paulo tem mais de 3 vezes mais dentistas que ASB´s e TSB´s somados, com 99.801 e 28.136 respectivamente). O que pode ser um indício de mais profissionais trabalhando sozinhos ou dividindo atendentes em São Paulo do que em Pernambuco, para citar um exemplo.

A visualização de dados sobre um assunto pode trazer insights interessantes e ajudar a enxergar melhor o que está acontecendo em uma determinada área. Visando trazer informações de qualidade e servir de base para quem desejar entender melhor o que acontece na Odontologia, anunciamos aqui um novo projeto que visa reunir os mais diversos dados e gráficos sobre o assunto. Um lugar de referência para pesquisa de números, datasets e visualizações sobre os mais diversos temas odontológicos. O projeto OdontoDados irá preencher a lacuna da disponibilidade de dados atualizados e de fácil acesso para estudantes, profissionais assim como público em geral. Esses e mais vários outros gráficos poderão ser encontrados por lá. Lançamento em breve . Fique ligado!

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